
Todo domingo observamos um interessante fenômeno: evangélicos bem arrumados, andando a pé ou nas paradas de ônibus, com bíblias debaixo do braço, indo para suas denominações. Obviamente, essa bíblia passou a semana toda ignorada em alguma estante da sala. Não tenho nada contra quem carrega uma bíblia debaixo do braço, mas ela deveria ser carregada no coração. Faz-se um culto ao livro bíblia. A bíblia é lida apenas nas reuniões de domingo, isto é, algumas porções desconectadas. Aí dizemos “amém” para todo tipo de sermão que nada tem a ver com o texto lido. Geralmente o texto é lido apenas para maquiar uma leitura bíblica e depois todo tipo de absurdo é falado em nome de Jesus. Sermões, geralmente temáticos, que nada tem a ver com o evangelho de Jesus. Não temos nem moral para falar dos católicos. Caímos em uma armadilha semelhante a da Idade Média. Compram-se muitas bíblias, muitos livros e pouco ou nada conhecemos da leitura e meditação no conteúdo da Palavra de Deus. Os programas evangélicos vendem bíblias para todos os gostos. É bíblia da Mulher, do Adolescente, Batalha espiritual, Financeira, Dake, Scofield e etc. Quase nenhum incentivo à leitura do conteúdo. Alguns podem até se ofender, mas junto com uma cultura que não lê, vemos um analfabetismo bíblico e ignorância com respeito ao conteúdo da Escritura. Quando se lê alguma coisa do texto da bíblia, é uma leitura fragmentária, atomizada, mágica. Citam-se textos fora de contexto para se apoiar pretextos.
Continua...