
Na blogosfera esta semana um assunto em pauta: "os desigrejados", termo que eu ainda não conhecia e que apareceu num blog que gosto muito. Fiz dois comentários lá, mas quero me atrever aqui a escrever um pouco mais. Sem a pretensão de saber tudo.
Como comentei em um dos post's fiz uma viagem recente por três livros sobre igreja: Igreja Orgânica, Reimaginando a Igreja e Reformissão. Cada um tratando o assunto vida da igreja e existência da igreja de um ponto de vista diferente. Todos preocupados com o que vive a igreja hoje. Esta viagem me ajudou a equilibrar ânimos e desânimos referentes a igreja. Então vamos lá.
> Em primeiro lugar discordo do termo "desigrejados". Por quê? Termos paralelos aparecem, tais como: movimento dos sem igreja; filhos bastardos da igreja, etc. No mínimo acho pretensiosa tal denominação, pois carece de significado histórico. Ou será que os que assim apupam a seus irmãos esquecem que os cristãos eram "Haeresis" do judaismo? Há que se separar pessoas frustradas com o hiper-dogmatismo institucional de pessoas rebeldes e insubmissas.
> Em segundo lugar definir que todos os que "saem" da igreja (instituição) deixaram a Igreja (assembléia dos salvos) é no mínimo confusão de informação. Especialmente se ao dizer isto, quem diz afirma que tais que saíram o fizeram ou porque estão em pecado e não querem ser confrontados; ou porque desejam construir um mundo paralelo, uma Matrix eclesiológica. Esquecimento histórico 2: quase todas as igrejas livres que existem são acusadas de serem facções de denominações históricas (rebeldes também?). Algumas são facções das novas facções.
> Em terceiro lugar a maior parte dos bons dicionários bíblicos reconhece que o termo igreja não corresponde a nenhum edifício (endereço e horário fixo); ou organização oficial (CNPJ, estatutos, reconhecimento público, etc.). Um deles diz: uma congregação local de cristãos (Dic. da Bíblia - Douglas, Vida Nova). Então o que vale é com quem congrego e não onde e quando congrego.
Minha palavra aos desigrejados: eu entendo vocês. Ainda sou de uma igreja institucional por vários motivos. Mas entendo o peso e tamanho das diversas decepções acumuladas (as carrego comigo). Aos críticos só posso concordar em uma coisa: o movimento das igrejas simples, orgânicas, em casa, no shoping, seja o nome que se der, só perde em valor se aderirem ao pensamento histórico que é nosso (denominacional): se se tornarem sectários também.
Neste casos vocês estarão corretos na crítica. Fora isso não existem desigrejados, existem os que estão sendo deserdados pelos institucionalizados que precisam defender posições - mas isto é assunto para o próximo post.
Graça e paz, sempre (aos irmãos, todos, que amam o Cordeiro e são filhos de Abba, não de placas).
fonte:http://marcusviniciuscomenta.blogspot.com
Blog Razão da Esperança